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Rede Municipal de Percursos Pedestres

 

ROTA DOS GALHARDOS

PR 1 GVA

Ficha Técnica

Designação: PR 1 GVA – Rota dos Galhardos

Promotor/Gestor de Rota: Município de Gouveia

Locais de Interesse: Calçada Romana dos Galhardos; Calçada Medieval dos Cantarinhos; Cabeça do Faraó; Pedra Furada; Viveiros de Folgosinho; Casais de Folgosinho; Estátua de Viriato.
Morada de Início: Interceção da Rua da Serra com o Caminho Natural, 6290-081 Folgosinho.

Coordenadas de Início e Fim: Geográficas – 40°30’14.1″N 7°30’56.7″W
|| Datum73 UTM – 40.503917, -7.515750

Acessos Rodoviários: Caminho Natural ou EN 338-1

Tipo de Rota: Pequena Rota – 11.1km – circular

Duração: 4h

Nível de dificuldade: III (médio)

Período de utilização recomendado: Todo o ano

Altitudes mínima e máxima: 853m – 1340m

Contactos úteis:
Junta de Freguesia de Folgosinho
Bombeiros Voluntários de Folgosinho
GNR
Farmácia de Folgosinho

 

A Rota da Calçada dos Galhardos

O percurso pedestre do tipo Pequena Rota (PR) dos Galhardos está implantado em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, e percorre um conjunto de espaços ambientais, geológicos e culturais na freguesia de Folgosinho, concelho de Gouveia, ao longo de 11,1km.

Percorre duas calçadas romana e medieval, dos Galhardos (5) e da Serra de Baixo (1). No alto, entre a Portela de Folgosinho (4) e a Pedra Furada (2), o percurso pedestre corre sobreposto à Grande Rota (GR-22) das Aldeias Históricas, que acompanha por estradão.

A recomendação do sentido de utilização deste percurso varia consoante o período do ano:
– Na Primavera/Verão sugere-se o sentido dos ponteiros do relógio, saindo à Serra em direção à calçada da Serra de Baixo e regressando pela calçada dos Galhardos.
No Outono/Inverno sugere-se a sua utilização no sentido contrário aos ponteiros do relógio, saindo à Serra em direção à calçada dos Galhardos, regressando pela calçada da Serra de Baixo.

Permite ao utilizador percorrer duas calçadas históricas para a economia, identidade e cultura serrana, uma em cada vertente do próspero vale da Ribeira do Freixo, que permitia o acesso ao espaço económico e cultural dos “Casais de Folgosinho”, no planalto do Mondego superior. A antiguidade da relação entre esta comunidade e o planalto superior do Mondego está identificado, desde logo, nestes dois troços de calçada, calcorreadas incontáveis vezes, desde há 2000 anos. Mas ao longo dos séculos a comunidade foi adaptando as suas condições às necessidades do território, desde logo visíveis nas chamadas “casas de abrigo florestal” do século XX, que abrigavam pessoas e animais durante tempestades inesperadas.

A Portela de Folgosinho (4):
Esta portela é um importante cruzamento de vias provenientes de diversas vertentes da Serra. A mais significativa, na História local, encontra-se em direção ao vale superior do Mondego, onde repousa, desde o século XII, a ermida da Nossa Senhora da Assedace (13), local de romaria e de residência ao culto mariano protetor da serra e dos seus habitantes. Essa ermida, a 935m de altitude, com o rio Mondego selvagem a correr aos seus pés, guarda a fé e a devoção da comunidade serrana, em geral, e de Folgosinho, em particular, assim como guarda a própria história do local. Estes sentimentos estão vivos e são transmitidos ainda hoje, nomeadamente, nas atividades agro-silvo-pastoris quotidianas e na tradicional romaria a 8 de setembro, onde os devotos assistem à solenidade da missa e procissão conduzida pelo Pároco de Folgosinho. Esta detém ainda a memória da desparecida Aldeya da Sedarça, de fundação templária, cujo abandono foi feito em benefício de Folgosinho. Segundo a lenda, uma praga de formigas havia inutilizado, os campos e as habitações dos populares, inviabilizando a vida nesse local. No entanto, o único sítio onde as formigas não entraram foi, precisamente, nessa ermida, sinal logo entendido pelos habitantes, como divina proteção. Desta forma, fez-se o voto de regresso anual, que ainda hoje é cumprido, como sinal de devoção e adoração enquadrado pelas alturas da montanha e pela frescura do Mondego.

Calçada dos Galhardos (5):
De Folgosinho em direção a sul percorre-se a calçada romana dos Galhardos, acedendo à Portela de Folgosinho. Este é um pequeno troço de 3 km da imensa via romana, que entre o séc. I a.C. e o séc. IV d.C., ligava as maiores cidades do ocidente peninsular Imperial, Bracara Augusta (Braga, Portugal) e Emerita Augusta (Mérida, Espanha). A este período da História está vinculada a memória de um herói nacional, que permanece vivo na memória popular, na toponímia local, numa estátua e em lendas e mitos associados a Folgosinho. O grande Caudilho Lusitano, vencedor de quatro pretores romanos, Viriato. A memória popular encerra outras reminiscências para este lugar, como os “verdadeiros” responsáveis pela construção da calçada, os Galhardos. Pequenos diabretes com “galhos”, que a fizeram numa noite de temporal, desaparecendo ao romper do sol, e daí a calçada parecer interrompida. Seja de que forma for, a sua importância para o acesso aos “Casais” tornou-se fundamental na economia local até meados do século XX. Sobranceiro a esta portela, está o Alto de São Tiago (12), coroado pela ermida a 1563m de altitude, como testemunho da sua utilização como parte dos caminhos de Santiago desde a Idade Média.
A calçada dos Galhardos está classificada com a categoria de Imóvel de Interesse Público (IIP), pelo Decreto nº 26-A/92, DR, 1ª série, nº 126 de 01 junho 1992.

Calçada da Serra de Baixo (1):
Saindo de Folgosinho em direção a oriente, à Pedra Furada (2), subimos pela calçada da Serra de Baixo. Também conhecida como calçada dos Cantarinhos, ou da Meia-encosta, atribui-se a sua origem ao período baixo medieval, e a necessidade da sua construção ter-se-á integrado na perspetiva de dotar com melhores condições, um caminho com algum fluxo de movimento, que o justificasse. À cabeça, a presença de duas importantes vilas medievais, como Folgosinho e Linhares da Beira, com acesso direto ao planalto do Mondego superior, e a necessidade de facilitar a comunicação entre ambas as localidades em períodos de maior tensão militar na nossa história, que pela posição privilegiada de defesa e controlo territorial, se desenvolveram como dois importantes polos aglomeradores da comunidade e desenvolvimento regional.

 

 

 

ROTA DOS CAMINHOS DA FÉ

PR 2 GVA

Ficha Técnica

Designação: PR 2 GVA – Rota dos Caminhos da Fé

Promotor/Gestor de Rota: Município de Gouveia

Locais de Interesse: Capela de Sta. Cruz; Igreja de S. Julião, Igreja Matriz de S. Pedro; Igreja da Misericórdia; Casa da Torre (M.N.); Capela de S. João; Igreja Matriz de Aldeias; Capela de S. Sebastião; Capela da Sra. do Monte, Capela da Sra. do Lugar; Capela da Sra. de Logan; Igreja de S. Vicente; Capela da Sra. do Porto; Capela da Santíssima Trindade; Capela de S. Pedro; Igreja Matriz de Vinhó (antigo convento da Madre de Deus) (I.I.P.); Convento de S. Francisco; Capela de S. Miguel; Capela do Sr. do Calvário; Conjunto de alminhas.

Morada de Início: Rua Monte Calvário, 6290-525 Gouveia

Coordenadas de Início e Fim: Geográficas – 40°29’46.9″N 7°35’26.0″W
|| Datum73 UTM – 40.496354, -7.590554

Acessos Rodoviários: EN 232

Tipo de Rota: Pequena Rota – 16km – circular

Duração: 5h

Nível de dificuldade: III (médio)

Período de utilização recomendado: Todo o ano

Altitudes mínima e máxima: 511m – 800m

 

A Rota dos Caminhos da Fé

A fé das gentes do concelho de Gouveia levou à construção de diversos locais de culto, como capelas, alminhas, ermidas, entre outros, como reflexo da sua devoção. Foram e são espaços de romaria e celebrações litúrgicas e profanas. Os trilhos percorridos pelos romeiros eram usados com o propósito de “encurtar caminho”, para o pagamento de promessas e por força da fé. Caminhos que também eram de acesso aos terrenos agrícolas das aleias próximas que foram sendo pontilhados por alminhas nos cruzamentos, onde se rezava o Pai Nosso e a Avé Maria, em auxílio das almas que penavam no purgatório. Assim, o que propomos reviver essas tradições, permitindo não só um olhar atento a uma arquitetura religiosa simples, mas cheia de significado, como sentir o bem-estar da caminhada por caminhos de outras épocas, aproveitando as desafogadas e respirando o ar puro da serra.

Este percurso pedestre do tipo Pequena Rota (PR 2 GVA), tem início na Capela do Senhor do Calvário, em Gouveia, com passagem pelas localidades de Aldeias, Mangualde da Serra, Moimenta da Serra e Vinhó, regressando a Gouveia, numa extensão de 16km.

A paisagem do PR 2 GVA é marcada por uma forte intervenção humana, onde as espécies autóctones referenciadas para o “andar basal” da Serra da Estrela (até aos 900 metros de altitude), cederam lugar às espécies cultivadas. Aqui, onde os solos são mais férteis, procedeu-se ao cultivo da terra. São os vinhedos e os olivais que dominam, por entre as leguminosas e o cultivo da batata que completam este quadro de agricultura, tipicamente, familiar. O abandono sucessivo das terras permitiu a expansão da acácia mimosa e outras espécies invasoras que surgem igualmente ao longo do trajeto.

Contudo, ainda é possível constatar a presença de alguns bosques de carvalho negral e castanheiro. O pilriteiro e a gilbardeira marcam também a sua presença ao longo do percurso, que, a par de outros arbustos e herbáceas, permitem um equilibrado e rico ecossistema, que partilha com a arquitetura religiosa, o destaque das paisagens caminhadas.

Dentro do diverso património religioso, alguns dos mais icónicos elementos patrimoniais, sugerem, desde logo, uma relação próxima entre o lugar e a paisagem nos seus entornos.

Do Monte Ajax, agora conhecido como o Monte do Sr. Calvário (1), derivado da capela que coroa o lugar, estamos numa verdadeira varanda sobre a Beira Alta. É neste edifício que se centram as solenidades religiosas das Festas da Cidade, em tempos conhecida como “A maior Romaria das Beiras”, que se realiza desde 1838. Para norte e poente domina o olhar, as vistas largas sobre a plataforma do Mondego; contrastado a sul e a nascente, com o peso da encosta da Serra que o percurso, parcialmente, percorre, numa íntima relação entre a paisagem, a cultura e o ambiente.

Encontramos esta relação próxima com o meio-ambiente em diversos, lugares, nomeadamente, nas dezenas de fontes que se encontram nas localidades percorridas, mas também na relação entre determinados tipos de árvores e os edifícios religiosos, como no adro da Igreja Matriz de S. Cosme (7), em Aldeias, no corpo de uma enorme e antiga carvalha que repousa no seu adro. Carvalhas que são uma ocorrência regular junto aos locais de culto da região, nomeadamente, numa das mais antigas ermidas do concelho, a Nossa Senhora do Monte (9), em Mangualde da Serra, onde a carvalha que resistiu aos incêndios de 2017 ainda guarda a memória da lenda da fundação deste culto.

Cruzando a localidade de Mangualde da Serra, inicia-se a descida para Moimenta da Serra, onde no limite do seu perímetro urbano somos recebidos pela ermida da N. Sra. do Porto (13), fundada em 1641. Este importante lugar de romaria regional tem o seu ponto alto no período da Páscoa, marcando o arranque das romarias, arraiais e celebrações estivais no concelho.

Até Vinhó, por entre vinhas, olivais e bosques, encontramos nessa localidade uma das mais emblemáticas igrejas do concelho, que se encontra classificada como Imóvel de Interesse Público.

Fundada em 1567 por D. Francisco de Sousa e D. Antónia de Teive, foi estabelecida como Igreja do Convento da Madre de Deus (16), que funcionou, como tal, até 1869, quando foi extinto, passando a Igreja, a sede paroquial da freguesia. Aqui viveu durante o século XVIII uma freira com fama de Santa, a Tia Baptista, que aqui ficaria sepultada, numa capela fundada por si, onde ainda se encontra, igualmente, a imagem do Menino Jesus que esta freira adorava de várias formas, nomeadamente, através de quadras e cantigas que até hoje o Rancho Folclórico de Vinhó mantém vivo.

De regresso a Gouveia, o (extinto) Convento do Espírito Santo (17) recebe-nos num enquadramento ímpar ao entrar no perímetro urbano da cidade, num local envolto em mistérios desde a sua fundação templária até à sua vivência como Convento Franciscano. Atualmente o imóvel é propriedade privada pelo que não é possível a sua visitação.

Terminando o percurso pelo circuito urbano, onde a imponente arquitetura religiosa da cidade domina o olhar, o regresso ao Sr. do Calvário convida ao descanso, introspeção e reflexão, enquanto a Beira Alta se espraia diante dos nossos olhos.