Assinatura de protocolo entre o Município e o ICNF no âmbito do projeto Rede Ambiental 

 

Ocorreu esta quarta-feira, na presença do Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel João de Freitas, a assinatura do protocolo de colaboração entre o ICNF (Instituto Conservação da Natureza e das Florestas, I.P.) e o Município de Gouveia, no âmbito do projeto “Rede Ambiental”.

Foi comunicado pelo autarca Luís Tadeu a intenção de reerguer o CEAF – Centro de Educação Ambiental de Folgosinho e de reabilitar dois edifícios do Estado enquanto centro interpretativo da fauna e da flora do rio Mondego, a Casa das Sementes e a Casa Florestal dos Astrónomos, que estão actualmente degradados e inutilizados, para dinamizar a Rede Ambiental na Serra da Estrela, criando bases fundamentais de apoio a acções de educação ambiental. Os edifícios continuam a ser do ICNF e a autarquia apenas ganhou "a legitimidade de os poder utilizar" pelo período de dez anos.
O objectivo passa por criar no concelho "um conjunto de infraestruturas que possam potenciar o aproveitamento cultural, o lúdico e o económico".
Ao tomar a palavra, o secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, valorizou a assinatura do protocolo, por permitir "a recuperação do património" e a valorização do território "com a marca do Geopark Estrela".
De acordo com o secretário de Estado, este acordo, que contempla a vertente da educação ambiental, permite a valorização do território do ponto de vista económico, bem como do turismo da natureza, passando a mensagem de que a floresta é importante para o país.
Miguel Freitas sublinhou ainda que o governo vai disponibilizar de um valor global de 28 milhões de euros para substituir, em áreas ardidas, espécies de crescimento rápido, como eucaliptos, por espécies de crescimento lento, anunciando que “ o tratamento que daremos a essas áreas é o mesmo tratamento que damos hoje quando instalamos uma floresta em local onde não existia floresta”.
Explicou ainda que “existem medidas no PDR 2020 que assim funcionam” e que “foi possível negociar com Bruxelas uma medida que permite, acima de tudo, pagar aquilo que é a limpeza do terreno, a instalação da nova cultura e cinco anos de manutenção, sendo que esse pagamento dos cinco anos de manutenção são 120 euros por hectare ao ano”.
O secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural sublinhou que o Governo não pretende “acabar com o eucalipto” e que “a ideia é a de, acima de tudo, fazer nos locais certos a substituição de espécies de crescimento rápido por espécies de crescimento lento. Nós consideramos que é necessário ter bom ordenamento, ter boa gestão e as espécies, cada uma delas, esteja no sítio onde deve estar”, justificou.
A nova medida de apoio vai ser lançada em outubro e já decorreu uma reunião com as associações florestais na semana passada, admitindo o governante que a mesma será “um estímulo importante”.

Após o término da cerimónia, o secretário de Estado, acompanhado pelo executivo camarário, realizou uma visita pelos pólos da Rota do Mondego, com ponto de partida na nascente do rio Mondego (Mondeguinho). O município pretende reaquilificar a zona envolvente à nascente do rio Mondego, solicitando para isso, a colaboração do ICNF, atendendo que a área está inserida no perímetro florestal da Serra da Estrela - Núcleo de Gouveia e Parque Natural da Serra da Estrela.

Seguiu-se a Casa Florestal do Mondeguinho ou dos Astrónomos, que se pretende dinamizar enquanto espaço de apoio e desenvolvimento interpretativo do Rio Mondego, flora e fauna do Mondego.
Percorreu-se mais algum caminho até à Casa ou Casão das Sementes, criado pela Direção Geral das Florestas, na década de 60, era um espaço utilizado para preservação das sementes utilizadas no plano de reflorestação do perímetro florestal da Serra da Estrela, e pretende-se que futuramente venha a ser aproveitado para a conservação das sementes das mais diversas actividades agrícolas, e da flora autóctone.
Houve oportunidade de presenciar a devastação provocada pelo incêndio de outubro do ano transacto e reforçar a vantagem da instalação da rede de defesa da floresta contra incêndios, nomeadamente a rede primária (faixas de protecção de 125 metros), a qual naquela zona está e pode ser mantida com recurso ao pastoreio de pequenos ruminantes.
O secretário de Estado reforçou ainda os apoios existentes através do Fundo Florestal Permanente (FFP) para a instalação e manutenção destas redes através do pastoreio (Cabras Sapadoras). Neste âmbito, houve oportunidade de contatar directamente com um produtor de caprinos, que devido à falta de informação adequada relativamente à realização da candidatura ao FFP para obter esse apoio, acabou por não avançar com o processo. De igual modo, do pouco conhecimento que tinha do programa, sentiu que o valor monetário não era suficiente perante as obrigações a que era afeto durante o período da candidatura. Nesse sentido, e na presença do secretário de Estado, ficou acordado com o município e o ICNF, a criação de uma equipa de acompanhamento com o intuito de estabeler valores ajustados dos custos, de acordo com a real necessidade, para a implementação e manutenção das redes de defesa da floresta contra incêndios que o dito programa permite. O município mostrou-se disponível para colaborar com os produtores na realização das candidaturas ao referido programa.
No final, visitou-se ainda a Casa do Guarda Florestal dos Ferreiros e os antigos viveiros florestais de Folgosinho, que ficaram completamente dizimados pelos incêndios de outubro, os quais se pretendem requalificar muito em breve.

Ao longo de todo este percurso, o gabinete técnico florestal do município e o senhor Presidente Luís Tadeu foram abordando várias temáticas, no sentido de sensibilizar o Secretário de Estado das Florestas para questões relacionadas com a área florestal e a dificuldade que existe na implementação de um plano de reflorestação da encosta da Serra da Estrela, a implementação das medidas de estabilização de emergência pós incêndio e a defesa da floresta contra incêndios e neste âmbito, a manutenção da rede viária florestal estruturante, a rede de pontos de água e os mosaicos de gestão de combustível.

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